SONETO DO DIA

Encontro-me nu. E qual a nudez
de um poeta, dispenso todo o sonho;
vaidosamente desatino, enfadonho,
nesta veste do homem que me fez.

Qual um rio sem foz, vivo. Talvez
iludo-me e me fascino; e estranho
hesito entre o santo e o demônio
pelas águas turvas e sem nitidez

que navego lento. E qual a adaga
poética de Maiakovski, com o meu
corpo nu desvendo, na viva chaga

de sua poesia, o ser que sou eu.
E ébrio, nutro em meu ser a vaga
lembrança do homem que já morreu.

OXORONGA, Alufa-Licuta.

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