A minha força é a poesia

A minha força é a poesia
 
Sou um pequeno poeta
sem tanto compromisso,
sigo a vida insubmisso,
sem rota, destino ou seta,
visto a minha camiseta
com estampas de rebeldia
pois dela faço o meu dia
e a minha vida por inteira,
igual a brasa na fogueira
a minha força é a poesia.
 
Faço dos versos as cores
que a vida pinta meu ser,
e quando não posso conter
de minhas humanas/dores
busco n’arte, os primores
a tudo o que me alivia,
e de uma e outra cortesia
tiro a vida da algibeira,
igual a brasa na fogueira
a minha força é a poesia.
 
A minha humana/costura
em fios de puro algodão,
conhece o húmus do chão
e das folhas, sua nervura,
da mesma forma, a altura
das estrelas que me alumia,
dos traços, cada geometria
e da queimada a fumaceira
igual a brasa na fogueira
a minha força é a poesia.
 
Os meus pedaços de mim
que se cercam de vivência
se postulam à abrangência
em insurreição, em motim,
como se fosse seco capim
que se envolve em valentia
e se consome e se esvazia
de sua combustão inteira
igual a brasa na fogueira
a minha força é a poesia.
 
A cada humana/promessa
cerco-me do que me tange
e a tudo o que me abrange
dou-me em alma confessa
como se fosse uma travessa
disposta à mesa em aprazia
sei da vida, sua benfeitoria
em portas, janelas e soleira,
igual a brasa na fogueira
a minha força é a poesia.
 
E quando eu me esculto
a tudo o que me restou
em pedaços eu me dou
me construo e me exulto,
assim eu sou e me avulto
ao que dou, em analogia,
e antes de ser o que seria
me dou à humana/fiadeira,
igual a brasa na fogueira
a minha força é a poesia.
 
No alcance de minh’alma
a vida, que enfim se dispõe
me amolda, costura e repõe
o que me afora e ensalma,
e se por dentro me acalma
o que não me substancia,
ser grande não me alivia,
desta forma e maneira,
igual a brasa na fogueira
a minha força é a poesia.
 
OXORONGA, Alufa-Licuta
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CRÍTICA SOBRE “DOS SOCOVÕES DA ALMA”

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DOS SOCOVÕES DA ALMA – EDITORA DO CARMO

Antes de iniciar a leitura de “ Dos Socovões da Alma”, lembrei que conheci o Poeta Alufa-Licuta Oxoronga em um grupo de WhatsApp de escritores paraenses. Desde , então , fui tomando proximidade com a sua escrita e me encantei com a poesia nela contida. Através dela passei a sentir que o talento do autor de” Dos Socovões da Alma” se derramava na pessoa de um ser que existe-existindo , como ele mesmo diz. E acrescento que , ao seu jeito humano de ser e estar nesta vida ( pelo que se apreende da sua força poética) , se poematizam as possibilidades de ser terra, céu e também imensidão de mar…

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TEXTO PARA TEODORA

O TEMPO É UMA ESTRADA COMPRIDA AOS OLHOS DE QUEM MUITO ANDOU

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Imagem: Acervo da família

(para minha mãe, Teodora, fronde do meu viver)
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canções natalinas-
no coração de uma mãe
o tempo não passa

Antevéspera de natal. Dia chuvoso. O inverno amazônico aldeia o seu frio em minha alma de cabocla acostumada as durezas (e incertezas) da vida. Da pequena área vejo o mundo à minha frente. Suporto o peso do tempo sobre os meus ombros há mais de 95 eternidades. Trago na minh’alma o desvencilhar dos afetos. Os dias tem forma de têmpera. As rútilas plantas dos sonhos se encoivaram ao longe, feito mariposas após os aguaceiros, em uma cautela de voos em sua serventia de existir.

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POETA E ESCRITOR

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