POEMAS

POEMA DO LIVRO – O BREJO DE MARIA

O brejo da brenha do monte

não tinha este nome rompante,

nem mesmo um nome ele tinha.

nascido de uma pequena fonte

quando o verão era extenuante

a ânsia era a sua convizinha.

 

 

Eis que um dia, tempos atrás,

um certo homem, por nome Braz,

e de prenome: Dias Sardinha,

andando com o seu capataz

(um jovem, intrépido e audaz)

deram com o brejo à noitinha.

 

 

 

 

 

Cansados da cavalgadura,

e estando a noite já escura,

resolveram ali descansar.

O brejo de água fria e pura

os convidava, em ternura,

a dormir e a descansar.

 

 

Braz, trazia em suas tranças,

o alvejar de suas tardanças

que o tempo o fizera aceitar.

O capataz, lívidas lembranças,

de quimeras e de bonanças

que Braz o motivava a sonhar.

 

 

Duas vidas, uma só memória:

Braz, com sua longa história

que em sonhos o atormentava.

O capataz, com a fama inglória

do amor de uma certa Maria Vitória

que dele já se esquivava.

 

 

Dois homens, um só instante,

um brejo nascido do monte

e uma noite que se fechava.

A água, de um azul cintilante,

em seu vagar, preponderante,

do leito era uma escrava.

 

 

 

 

 

Dois homens, um só medo

de serem apenas brinquedo

nas folhagens da melancolia.

Dois homens, um sonho ledo

no quaradouro do arvoredo

e na esquivança da ironia.

 

 

Dois homens, uma só dor

enchendo de vida e calor

a noite fria e sombria.

Dois homens, um só clamor

lançado para o Criador

pelos alfanjes da genealogia.

 

 

E lá do alto dos céus

O Eterno e Bondoso Deus

na alma dos homens trabalha:

A um, concede apogeus,

ao outro, os gineceus

e em ambos: uma fé agasalha.

 

 

Um, tomando da fagulha servida

a remete para dentro da vida

qual fosse água para calha.

O outro, achando a estrada comprida

toma a fé por desmerecida

e a si mesmo se amortalha.

 

POETA E ESCRITOR

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