SOBRE A ALMA DO AUTOR

Frágil condição mundana

Na exteriorização da nossa frágil condição mundana, em um dia caiado de desesperança, no abrir de uma manhã povoada pelo pessimismo, olho para além da janela em busca de um fiapo de alegria, de algo salvífico, que restaure a alegria ausente.

Meus olhos se postam além janela, além jardim, além rua, além bairro, além cidade, buscando um pispiar de afeto, um aquém providencial que me liberte das masmorras da irrelevância, da pobreza e da decadência  de minha alma.

Cansado de olhar e não encontrar, adentro a sala, vagando o olhar sobre a pequena biblioteca encontro Florbela e Pessoa, neles me lanço em leitura feito um louco, e me vem um rasgo de contenção e solicitude me mostrando que a procura estava finda.

E um sentimento de quietude me encheu a alma, como se fosse uma brisa farfalhando a orvalho em um dia outonal.

E tudo em volta se fez conhecido.

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OXORONGA, Alufa-Licuta. A reverberação do caos na semiótica vivencial. p. 65. Editora do Carmo. Brasilia-DF.

Lenta semeadura

Se meus traços são rudes, iguais são as inquietudes em sussurros no caminho. Cada qual com seus perfis, algumas, em forma de giz, outras, igual redemoinho.

Nestes rastros do destino que me debruço e desatino em uma metáfora sem fim, a vida transita e anoitece trazendo laminas de prece ao mais silencioso de mim.

Pelas correntezas das águas em seus gemidos de fráguas eu me denuncio humano: (a voz embarga a garganta, a dor desbota a vida/monta em um rio obscuro, insano).

Em minha vaga lembrança (que o sonho ainda alcança) da vida, me vesti criatura. Aos respingos dos orvalhos tomei da terra os agasalhos em rubra e lenta semeadura.

OXORONGA, Alufa-Licuta. A reverberação do caos na semiótica vivencial. p. 70. Editora do Carmo. Brasilia-DF.

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O que se revela em mim

O que se revela em mim vem como resgate, sobra, contemplação, inquietação, estranhamento e, em algumas vezes, interdição.

E este desvelar de mim é um processo doloroso, necessário e, por vezes, sangrento.

O revelar machuca, põe-me na condição de utensílio, enquanto as lembranças vêm despejando seu líquido a gosto de fel.

Mas é assim que me coloco em abertura, em possibilidades de vivenciar ao outro e a mim, o que em mim perdura, do qual, projeto ao outro tanto a minha singularidade quanto as minhas sangraduras de vida.

Assim me faço, me construo, me reconheço e me constituo em figura de gente. Apercebo-me existente, ainda que o mundo (inóspito e hostil) não comporte o meu ser.

É no desvelar de mim que me lanço, ainda que seja no caos!!!!

OXORONGA, Alufa-Licuta. A reverberação do caos na semiótica vivencial. p. 61. Editora do Carmo. Brasilia-DF.

 

 

 

 

 

 

 

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POETA E ESCRITOR

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